Homeopatia Infantil e Saúde de Adultos

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Homeopatia e outras terapêuticas: olhares distintos em complementaridade


Quando falamos de saúde, é comum colocar tudo no mesmo saco: medicina convencional vs terapêuticas não convencionais (medicinas alternativas).

Mas a verdade é que nem todas estas abordagens partem do mesmo princípio, nem procuram responder às mesmas perguntas.

Compreender essas diferenças é essencial para fazer escolhas informadas e seguras.

Métodos diferentes, pontos de partida diferentes

A medicina convencional baseia-se, sobretudo, na identificação objetiva da doença: exames analíticos, imagiológicos, parâmetros mensuráveis. É extraordinária no diagnóstico, na intervenção aguda, na cirurgia e no controlo de situações potencialmente graves. É, sem dúvida, indispensável, mas tem os seus limites. 

Outras terapêuticas não convencionais partem de pressupostos distintos. Algumas focam-se no equilíbrio energético, outras no corpo físico, outras na dimensão emocional. Cada método tem a sua linguagem, as suas ferramentas e, também, os seus limites.

A Homeopatia distingue-se claramente dentro deste universo.

O que torna a Homeopatia diferente

A Homeopatia não se centra na patologia tal como ela aparece nos exames, mas sim na forma como a pessoa sente os seus sintomas.
Dois indivíduos com o mesmo diagnóstico podem precisar de abordagens completamente diferentes, porque o seu organismo reage, sente e expressa o desequilíbrio de maneira única.

Aqui, o foco não é “qual é a doença?”, mas:

  • como começaram os sintomas,
  • o que os agrava ou alivia,
  • como a pessoa dorme, digere, reage ao stress,
  • como vive emocionalmente o seu dia a dia.

É uma medicina do quadro global, não da etiqueta diagnóstica.

Ultra diluições e segurança

Os medicamentos homeopáticos são preparados através de processos de diluição e dinamização muito específicos.
Devido a essas ultra diluições, a Homeopatia é isenta de toxicidade, não sobrecarrega o fígado, os rins ou outros órgãos, e pode ser utilizada com segurança em bebés, crianças, adultos e idosos — sempre com acompanhamento adequado.

Esta característica torna a Homeopatia particularmente interessante em situações em que:

  • há sensibilidade a medicamentos,
  • existe polimedicação,
  • os sintomas persistem sem causa orgânica identificável.

Quando os exames dizem “está tudo bem”… mas a pessoa não está

Na prática clínica, é frequente receber pessoas que já fizeram inúmeros exames.
Análises, TACs, ressonâncias, testes funcionais — tudo “normal”.
E, ainda assim, os sintomas persistem: fadiga inexplicável, dores difusas, perturbações digestivas, ansiedade constante, insónia, sensação de mal-estar difícil de definir.

Isto não significa que “não exista nada”.
Significa, muitas vezes, que o desequilíbrio ainda não é visível nos exames, mas já é vivido intensamente pela pessoa.

É precisamente neste território — entre o que ainda não é doença mensurável e o que já é sofrimento real — que a Homeopatia, muitas vezes, consegue chegar onde outras abordagens não chegam.

Não substituir, mas complementar

Importa dizê-lo com clareza:
a Homeopatia não substitui a medicina convencional quando esta é necessária.
Ela complementa, amplia e acompanha.

Há momentos em que o caminho é cirúrgico, farmacológico, urgente.
E há outros em que o corpo pede escuta, tempo, reequilíbrio e compreensão profunda do indivíduo.

Uma abordagem verdadeiramente moderna da saúde não escolhe lados — integra.

No centro, a pessoa

Mais do que discutir métodos, o essencial é isto:
cada pessoa é única, e nenhuma medicina ou método terapêutico responde a todas as realidades humanas.

A Homeopatia oferece um olhar que não se limita ao que é visível nos exames, mas que respeita a complexidade do ser humano.
E, muitas vezes, é nesse olhar mais amplo que começa o verdadeiro caminho de equilíbrio.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O fim da era de ouro da Internet? Talvez não...

 


Esta semana soube-se que a plataforma SAPO vai encerrar os seus blogs.
Para muitos, será apenas mais uma notícia técnica. Para outros, é o fim de uma era.

Os blogs foram, na minha opinião, a idade de ouro da internet.
Um tempo em que se escrevia devagar, se lia com atenção e se construíam ideias sem pressa. Um tempo em que as pessoas não competiam por segundos de atenção, mas partilhavam pensamentos, experiência, dúvidas.

Aprendemos muito com os "bloggers".
Aprendemos a argumentar, a aprofundar, a discordar com respeito, a acompanhar raciocínios longos. Aprendemos que o conhecimento não precisa de ser reduzido a frases de impacto nem embalado para agradar a algoritmos.

Hoje, vivemos o oposto.
As redes sociais trouxeram alcance, mas também trouxeram ruído.
Imediatismo. Simplificação excessiva. Polarização.
Conteúdos moldados para gerar reação, não reflexão.
Ideias complexas comprimidas em slogans.
Pensamento substituído por opinião rápida.
Visibilidade trocada por profundidade.

Nos blogs, não havia feeds infinitos nem notificações constantes.
Havia textos.
Havia silêncio entre parágrafos.
Havia tempo para discordar — e para pensar melhor.

Por isso, mesmo num mundo dominado por redes sociais, escolho continuar a escrever num blog.

Aqui não há algoritmos a decidir quem lê.
Não há publicidade a interromper ideias.
Não há pressão para agradar.
Há apenas texto, intenção e tempo. Tudo o que representa a essência da Homeopatia. 

Continuarei a publicar com regularidade, com cuidado e com profundidade.
Porque acredito que ainda há espaço para quem quer ler com calma, pensar com liberdade e escolher conteúdos que não vivem da urgência.

Talvez os blogs não sejam tendência.
Mas continuam a ser refugio para muitos.

E algumas coisas — tal como o pensamento sério, a escuta e o cuidado — não precisam de moda para fazer sentido.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Homeopatia: compreender para escolher com consciência

 


A Homeopatia é, muitas vezes, falada em extremos.

Para uns, é vista como uma solução para tudo.
Para outros, é descartada sem sequer ser compreendida.

Nenhum destes olhares faz justiça ao que a Homeopatia realmente é.

O que é a Homeopatia

A Homeopatia é uma abordagem terapêutica que procura estimular a capacidade de auto-regulação do organismo.
Parte de um princípio simples e antigo: o princípio da semelhança — uma substância que pode provocar determinados sintomas numa pessoa saudável pode, em doses dinamizadas, ajudar o organismo a reequilibrar esses mesmos sintomas quando eles surgem na doença.

Os medicamentos homeopáticos são preparados a partir de substâncias de origem vegetal, mineral ou animal, submetidas a processos específicos de diluição e dinamização.
Os grânulos homeopáticos, tão familiares a muitos, não têm toxicidade, não sobrecarregam o fígado nem os rins e podem ser usados com segurança em bebés, crianças, adultos e idosos — sempre com acompanhamento profissional.

Mas talvez o aspeto mais distintivo da Homeopatia não esteja no medicamento, mas no olhar clínico.
Na Homeopatia, não se trata apenas a patologia, trata-se a pessoa.
Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de abordagens completamente diferentes, porque reagem, sentem e vivem a doença de forma única.

O que a Homeopatia não é

A Homeopatia não é magia, nem uma promessa de cura para tudo.
Não substitui cirurgias, não ignora exames, não desvaloriza sinais de alarme.
Não é uma alternativa irresponsável à medicina convencional.

Na minha prática clínica, a Homeopatia é usada com critério, consciência e responsabilidade.
Conheço bem os seus limites — e quando esses limites são ultrapassados, encaminho sempre para a abordagem convencional, porque a saúde e a segurança de quem me procura estão acima de qualquer método terapêutico.

A Homeopatia não exclui.
Acrescenta. Complementa. Acompanha.

Seriedade acima de tudo

Trabalhar com Homeopatia exige escuta atenta, estudo contínuo e profundo respeito pela pessoa que está à nossa frente.
Não se trata de prometer milagres, mas de cuidar com rigor, humanidade e bom senso.

A Homeopatia pode ser uma excelente aliada na prevenção, no equilíbrio emocional, no fortalecimento do sistema imunitário e no acompanhamento de muitas condições agudas — sobretudo quando o objetivo é tratar o terreno, e não apenas silenciar sintomas.

O seu uso correto, pode ajudar a diminuir muito a utilização de medicação convencional. 

Mais do que discutir crenças, importa compreender com clareza o que a Homeopatia pode — e não pode — oferecer.
Quando praticada com seriedade, conhecimento e integração com a medicina convencional, pode ser uma aliada valiosa no cuidado da saúde, na prevenção e no acompanhamento responsável de muitas pessoas e famílias.

Se sentes curiosidade em perceber se a Homeopatia pode fazer sentido no teu caso, o primeiro passo é uma consulta, onde a história individual, o contexto e as necessidades de cada pessoa são avaliados com tempo e atenção.

O caminho começa sempre pelo esclarecimento e pela escolha informada.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Ano Começa e, com Ele, os Narizes Vermelhos


Começa Janeiro e o cenário repete-se como um déjà vu para muitos pais:
frio à porta, nariz a pingar, tosse que acorda a casa às 3h da manhã.
Antibiótico, depois xarope, depois outro antibiótico porque “voltou tudo outra vez”.
E o quarto cheira a mentol, o cesto dos papéis cheio de lenços, e aquela sensação de cansaço instala-se:
“Será que tem de ser sempre assim?”

Nem sempre.
Nem para sempre.

Tenho visto bebés que chegam ao consultório em situação limite: otites sucessivas, bronquiolites, febres que aparecem como convidados surpresa.
E vejo também pais — com olheiras, mas com esperança — a perguntar:
“Podemos fazer algo para prevenir?”

Sim.
Podemos construir saúde.
Com tempo, com paciência, com cuidado.
Não com urgências — com consistência.

A Homeopatia não vem prometer que o Inverno será cor-de-rosa, que as crianças nunca mais ficarão doentes.
Doença faz parte da infância, mas não desta forma recorrente. 

O que a Homeopatia pode fazer é fortalecer o caminho, ajudar o organismo a responder melhor, a recuperar com mais equilíbrio, a não adoecer de duas em duas semanas.
Tenho visto isso acontecer. Muitas vezes.
E cada mãe que volta e diz “este ano foi tão diferente” vale mais do que qualquer estatística.

E não são só as crianças.
Quantos adultos chegam exaustos, a imunidade frágil, com saúde debilitada?
O corpo grita, mas a rotina cala.
Sono curto, stress constante, refeições rápidas, emoções guardadas num canto.
A saúde não se perde de repente — vai-se desfazendo nos detalhes.
E é aí que também entramos: na prevenção, na alimentação que nutre, no estilo de vida que sustenta, na escuta do corpo que pede pausa.

A Homeopatia, para mim, é isto:
um convite para cuidar antes de remediar.
Para olhar para a saúde como algo que se constrói todos os dias —
como um jardim que precisa de água, luz, paciência.

Se este ano queres menos correria às urgências, menos noites em claro por febres repentinas, menos “voltou tudo outra vez”…
pode ser o momento de experimentar um caminho diferente.
Com acompanhamento.
Com respeito pela medicina convencional — porque não substituímos, somamos.

2026 pode ser o ano em que decides cuidar com intenção.
Por ti.
Pelos teus filhos.
Pela vida que quer fluir com mais leveza.

Quando sentires que é a hora, estou deste lado.
Para caminhar contigo — passo a passo, estação por estação.


sábado, 20 de dezembro de 2025

Um Obrigado que Vem do Coração


Nesta época do ano, em que a luz se acende dentro das casas e a memória das coisas boas fica mais nítida, sinto uma imensa vontade de parar… e agradecer.

Agradecer a cada pessoa que, ao longo deste ano, entrou no meu consultório e partilhou comigo aquilo que raramente se diz em voz alta: fragilidades, inquietações, esperanças, recomeços.
Agradecer a cada paciente que confiou no meu olhar, no meu tempo, no caminho subtil e profundo da Homeopatia.

E, de forma muito especial, agradecer a tantos pais que me confiaram aquilo que têm de mais precioso: os seus filhos.
Nunca tomo essa confiança como garantida.
Nunca a vejo como uma rotina.
É sempre um gesto de amor, de coragem e de entrega.
E é um privilégio enorme acompanhar tantas famílias, tantas histórias que se cruzam com a minha ao longo do caminho.

Neste trabalho, descubro todos os dias que a Homeopatia não é apenas um método — é um encontro.
Um espaço onde cada pessoa é vista na sua individualidade, no seu ritmo, na sua história.
E são vocês, com a vossa presença e verdade, que dão sentido a tudo o que faço.

Obrigado por cada palavra, cada partilha, cada confiança silenciosa.
Obrigado por permitirem que a minha vocação seja também um lugar de humanidade.

Que este Natal vos traga serenidade, união e aquele tipo de paz que se sente primeiro no peito.
Que 2026 vos encontre com coragem, esperança renovada e muitos momentos bons — daqueles que aquecem o coração.

Da minha parte, sigo com o mesmo compromisso de sempre: continuar a caminhar convosco, com respeito, escuta profunda e uma gratidão que cresce a cada encontro.

Um abraço sentido,
e votos de um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde.


sábado, 13 de dezembro de 2025

Homeopatia: quando a saúde não começa na doença


Vivemos numa sociedade que, muitas vezes, só procura ajuda quando algo já falhou.

É assim que funciona a medicina da doença: entra em ação quando o problema já apareceu. E ainda bem que existe — é essencial, insubstituível e salva vidas todos os dias.

Mas há outra forma de cuidar.
A medicina da saúde.

É aquela que não espera pelo colapso para agir.
Que não trata apenas crises, mas terrenos.
Que olha para a pessoa antes de olhar para o diagnóstico.

E é aqui que a Homeopatia tem um papel único.

A Homeopatia trabalha na compreensão profunda da pessoa — dos seus padrões, sensibilidades, formas de reagir ao stress, ao ambiente, às emoções.
É um acompanhamento que pode coexistir perfeitamente com a medicina convencional, ampliando o cuidado, não substituindo nada.

Enquanto a medicina convencional trata o que está a acontecer,
a Homeopatia ajuda a perceber porque acontece e o que no indivíduo precisa de atenção para que o equilíbrio se mantenha.

Não se trata de escolher um lado.
Trata-se de perceber que saúde verdadeira não é uma batalha entre métodos, mas uma soma.

Medicina convencional para o que surge de forma aguda, cirurgia, diagnósticos diferenciados.
Homeopatia para fortalecer, prevenir, equilibrar e acompanhar.
Tudo em conjunto, tudo a favor da mesma pessoa: tu.

No fundo, apostar na medicina da saúde é isto:
não esperar pela doença para começar a cuidar.
É investir no terreno, na energia, na forma única como cada um de nós vive o corpo e a vida.

A saúde não começa quando adoecemos.
Começa muito antes.

E a Homeopatia está exatamente aí - no lugar onde a prevenção se encontra com a consciência de quem decide cuidar de si antes de ser tarde.